quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Primavera de Praga

A Primavera de Praga foi um período de liberalização política na Tchecoslováquia durante a época de sua dominação pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. Esse período começou em 5 de Janeiro de 1968, quando o reformista eslovaco Alexander Dubček chegou ao poder, e durou até o dia 21 de Agosto quando a União Soviética e os membros do Pacto de Varsóvia invadiram o país para interromper as reformas.

O movimento da Primavera de Praga foi liderado por intelectuais reformistas do Partido Comunista Tcheco, interessados em promover grandes mudanças na estrutura política, econômica e social, na Tchecoslováquia. A proposta surpreendeu a sociedade tcheca, que em 5 de Abril de 1968 soube das propostas reformistas dos intelectuais comunistas.

O objetivo de Dubcek era "desestalinizar" o país, removendo os vestígios de despotismo e autoritarismo, que considerava aberrações no sistema socialista. Com isso, o secretário-geral do partido prometeu uma revisão da Constituição, que garantiria a liberdade do cidadão e os direitos civis. A abertura política abrangia o fim do monopólio do partido comunista e a livre organização partidária, com uma Assembléia Nacional que reuniria democraticamente todos os segmentos da sociedade tcheca. A liberdade de imprensa, o Poder Judiciário independente e a tolerância religiosa eram outras garantias expostas por Dubcek.

As propostas foram apoiadas pela população. O movimento que propôs a mudança radical da Tchecoslováquia, dentro da área de influência da União Soviética, foi chamada de Primavera de Praga.1 Assim sendo, diversos setores sociais se manifestaram em favor da rápida democratização. No mês de junho, um texto de “Duas Mil Palavras” saiu publicado na Liternární Listy (Gazeta Literária), escrito por Ludvík Vaculík e assinado por personalidades de todos sectores sociais, pedindo a Dubcek que acelerasse o processo de abertura política. Eles acreditavam que era possível transformar, pacificamente, um regime ortodoxo comunista para um regime socialista democrático aos moldes ocidentais. Com estas propostas, Dubcek tentava provar a possibilidade de uma economia coletivizada conviver com ampla liberdade econômica.2

A União Soviética, temendo a influência que uma Tchecoslováquia democrática e socialista, independente da influência soviética e com garantias de liberdades à sociedade, pudesse passar às nações socialistas e às "democracias populares", mandou tanques do Pacto de Varsóvia invadirem a capital Praga em 21 de Agosto de 1968. Dubcek foi detido por soldados soviéticos e levado a Moscou. Na cidade de Praga a população reagiu à invasão soviética de forma não violenta, desnorteando as tropas. A organização quase espontânea foi em parte liderada pela cadeia de vários pequenos transmissores construídos às pressas por membros do exército tcheco e aficcionados por radio transmissores: a Rádio Tchecoslováquia Livre. Cada emissora transmitia instruções para a população por não mais que 9 minutos e depois saia do ar, dando o espaço para uma outra, impossibilitando assim a triangulação do sinal. Suas instruções eram para a população manter a calma e, sobretudo, não colaborar com os invasores. Os russos ainda tentaram trazer uma potente estação de rádio para criar interferências nos sinais, porém, os ferroviários tchecos, com uma extrema competência, atrasaram a entrega e, quando a estação chegou ao seu destino, estava inutilizável.1

Os russos conseguiram uma ocupação total em poucas horas, porém chegaram a um impasse político: as diversas tentativas para criar um governo colaboracionista fracassaram e a população tcheca foi eficiente em minar a moral das tropas. No dia 23 se iniciou uma greve geral, e no dia 26 se publicou o decálogo da não cooperação: não sei, não conheço, não direi, não tenho, não sei fazer, não darei, não posso, não irei, não ensinarei, não farei!

Através de uma rede de radioamadores, a população era informada sobre ações que poderiam ser organizadas para levar a cabo uma resistência não violenta. Tal reação foi espontânea, devido à impossibilidade de se utilizar a ação violenta. De certa forma, a população se inspirou em um livro picaresco muito popular, "O valente soldado Chveik", onde o personagem usava de travessurar para expulsar as tropas invasoras.

A paralisação dos trens interrompeu a comunicação com os países aliados, e para evitar que os tanques chegassem até Praga, as placas de sinalização foram invertidas, e depois pintadas com uma tinta fácil de se raspar. Quando os soldados raspavam as tintas para verem a indicação correta, acabavam indo na direção de Moscou.

Enquanto isso, os raptores contavam a Dubcek que a população tcheca estava sendo massacrada, como fora a população húngara, 12 anos antes, o que o levou a assinar um acordo de renúncia.

As reformas foram canceladas e o regime de partido único continuou a vigorar na Tchecoslováquia. Em protesto contra o fim das liberdades conquistadas, o jovem Jan Palach ateou fogo ao próprio corpo numa praça de Praga em 16 de Janeiro de 1969.

Por sua vez, os comunistas tchecos antiliberalismo2 apoiaram a invasão soviética, uma vez que eles acreditavam que as reformas de Dubček trariam um precoce desastre econômico e social, o que mais tarde realmente ocorreria em 1991 com o colapso soviético. Sinal disto, é a divisão do partido em dois lados, os liberais (reformistas) e os antiliberalismo,2 que contariam com o apoio soviético, o poder mais influente.

Acordo de Munique

O Acordo de Munique foi um tratado datado de 29 de setembro de 1938, na cidade de Munique, na Alemanha, entre os líderes das maiores potências da Europa à época. 

De 1919 até 1938, periodo da dissolução do Império Alemão, mais de 3 milhões de alemães étnicos viviam na parte checa do recém criado Estado da Checoslováquia.

O objetivo da conferência era a discussão do futuro da Checoslováquia e terminou com a capitulação das nações democráticas perante a Alemanha Nazi de Adolf Hitler.1 Este episódio ilustra melhor do que outros o significado da "política de apaziguamento".

A Checoslováquia não foi convidada para a conferência. A conferência é vulgarmente conhecida na República Checa como a "Sentença de Munique". A frase "traição de Munique" também é usada frequentemente, uma vez que as alianças militares em vigor entre a Checoslováquia, Reino Unido e França foram ignoradas.

Foi alcançado com cerca de uma hora e meia um acordo, assinado a 30 de setembro mas datado de 29 de setembro de 1938.1 Adolf Hitler, Neville Chamberlain, Edouard Daladier e Benito Mussolini foram os políticos que assinaram o Acordo de Munique. O ajuste dava à Alemanha os Sudetas (Sudetenland), começando em 10 de outubro, e o controle efetivo do resto da Checoslováquia, desde que Hitler prometesse que esta seria a última reivindicação territorial da Alemanha.

Chamberlain foi recebido como um herói à sua chegada ao Reino Unido. No aeroporto de Heston, ele fez o famoso discurso, agora inglório, "peace in our time" (paz para o nosso tempo) e acenou com a folha de papel branca para uma multidão em delírio, embora alguns do Reino Unido ainda tivessem questões diplomáticas mal resolvidas para esclarecer a população em geral era a favor do tratado.3

A ocupação alemã dos quatro distritos seria feita faseadamente entre 1 de outubro e 7 de outubro. Outros territórios de predominância de população germânica seriam especificados por uma comissão internacional composta por delegados de França, Reino Unido, Itália, Alemanha e Checoslováquia. A comissão internacional conduziria também eleições nos territórios em disputa.

Winston Churchill teria dito sobre Chamberlain quanto a este acordo: "Entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra, e terás a guerra".

A 10 de março de 1939, Hitler, desrespeitando o tratado, ordena a invasão do resto da Checoslováquia e as tropas alemãs ocupam Praga.

Crise dos Sudetos

A Crise dos Sudetos (em alemão:Sudetenkrise) é o nome dado aos acontecimentos de 1938, iniciado pelos "Sudetendeutsche", uma minoria étnica da Europa Central, composta por alemães que vivem na Boêmia, Morávia e Silésia Oriental.

Após a anexação da Áustria em março de 1938, Hitler surge como um defensor dos alemães da Checoslováquia provocando a crise. O Partido Alemão dos Sudetos promulgam os Decretos de Carlsbad em 24 de abril de 1938, que exige a autonomia e a liberdade de professar a ideologia nazista. A Grã-Bretanha enviou Lord Runciman para negociar um acordo com o governo tcheco, liderado pelo Presidente Edvard Benes, que falhou pela decisão de Hitler na forma de ordenar a Henlein demandas impossíveis de serem aceitas pelo governo checo.

Manobras do exército tchecoslovaco em 1938.
Apesar de algumas concessões feitas por Praga, a Checoslováquia mobilizou as suas tropas em 23 de Setembro. No entanto, apesar de ter o teórico apoio da URSS (que, estritamente dependia da intervenção francesa), e também um exército moderno e preparado, assim como as defesas fronteiriças muito fortes, acabou abandonando toda a resistência à invasão alemã, na ausência do apoio das potências ocidentais.

Hitler deu um ultimato em 26 de Setembro e impôs a sua posição sobre o Acordo de Munique em 30 de setembro, assinado por Hitler, Mussolini, Chamberlain e Édouard Daladier, o primeiro-ministro francês, prometeu um plebiscito a Alemanha, que foi aceito por Chamberlain, em um esforço para evitar guerra. Estes acordos indignaram a Checoslováquia, que não tinha sido convidada a participar deles, e só foi comunicada do resultado.

A ocupação alemã ocorreu de 1 a 10 de Outubro, subtraindo assim cerca de 30.000 km² da Tchecoslováquia, sem que as outras potências européias reagissem. Depois disso, a maioria da população checa foi expulsa da região. No final de 1938, o Partido Alemão dos Sudetos desaparece e se funde com o Partido Nazista alemão. Em março de 1939, a Alemanha ocupa o resto da Checoslováquia.


Após a derrota da Alemanha na II Guerra Mundial, os Sudetos voltaram a tornar-se parte da Tchecoslováquia e a população alemã foi expulsa em massa.